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Friday, February 22, 2008

Correio da Manhã (Portugal, 03/07/2006)




Ser mãe mudou-me
Ao terceiro disco, ‘Loose’, Nelly Furtado rendeu-se ao hip-hop e conquistou o mais importante ‘top’ do Mundo –o dos EUA. Em entrevista exclusiva ao CM, a cantora transborda confiança e confessa que a maternidade também contribuiu para o sucesso.
Correio da Manhã – Como se sente por ter chegado ao n.º1 do ‘top’ norte-americano?Nelly Furtado – É óptimo! Estou muito contente porque como artista amadureci imenso nos últimos cinco ou seis anos. Sinto-me muito mais confortável e estou muito satisfeita por as pessoas terem aceite todos os meus passos. Como artista, temos de tentar coisas novas. Para mim este álbum é o melhor para me ouvir.
– Neste disco surge bem diferente de, por exemplo, ‘I’m Like a Bird’. Aqui há canções com títulos como ‘Maneater’ (devoradora de homens), ‘Promiscuous Girl’...
– (risos) É mesmo. Agora, quando vejo o vídeo de ‘I’m Like a Bird’ penso mais na minha menina. É difícil entender que sou eu. Ser mãe mudou-me. Estou mais feminina, mais confiante enquanto mulher. Mas é tudo muito natural, uma evolução. Acho que fiz alguns progressos. Estou mais profissional, tenho mais alegria e isso traduz-se numa maior confiança. O hip-hop é a minha arma secreta e estou mais concentrada nisso. Os meus discos eram mais pop mas agora estou mais numa de hip-hop e isso aconteceu de forma natural. Foi por isso que convidei os Da Weasel.
– Como surgiu essa possibilidade?
– Tinha 16 anos quando os descobri. Comprei um disco em Ponta Delgada e percebi logo que eram diferentes, com um hip-hop muito fresco. E fiquei muito inspirada porque desconhecia que houvesse tanta música boa em Portugal, pensava que era mais tipo folclore. Depois, conheci-os na minha primeira viagem a Lisboa, e eles queriam que eu colaborasse no ‘Re-Definições’ mas não houve oportunidade. Agora convidei-os eu para o ‘Maneater’, porque acho que eles fazem da melhor música em Portugal. Gostava de poder trabalhar com eles em estúdio no próximo disco. Isto soube a pouco.
– Neste disco colaborou também com Chris Martin (Coldplay). Como foi a experiência?
– Trabalhei também com o Juanes, o Timbaland... a minha vida é assim. Sou muito livre. Já conheço o Chris há cinco anos...
– Diz-se que tiveram um caso...
– Não, não...nada disso. Somos só amigos, trocamos ‘mails’...(risos), mas encontrei-o o ano passado em Miami e ele ficou muito contente por eu estar a trabalhar com o Timbaland (são fãs um do outro) e convidei-o para gravar. No início estavam muito nervosos, mas quando começaram a tocar foi uma energia espantosa, uma das minhas melhores experiências musicais. O Timbaland tem o dom de mudar as pessoas só com a sua presença. Foi incrível. Ele é genial, pressiona muito e eu gosto de sentir isso; é uma coisa muito portuguesa. E cantei também em espanhol em ‘No Hay Igual’, e nem sabia que o conseguia fazer. Apesar do meu primo me ter dito que era melhor cantar em espanhol do que em português, hei-de cantar sempre em português. Só que gosto muito de cantar noutras línguas.
– E quanto a espectáculos por cá?
– Penso que só em Janeiro de 2007, porque primeiro tenho concertos na América (Outubro), depois são os prémios MTV, (Novembro) depois é Natal, e só depois vou para a Europa... Lisboa. Mas, nessa altura vou estar melhor, o concerto vai ser melhor. Estou a dançar mais, tenho coreografias em palco...
– Anda com a sua filha em digresão?
– Sempre. Ela adora viajar e hoje em dia é mais fácil viajar com crianças. As condições são melhores, mas é como um circo. É uma loucura, mas adoramos. E já diz umas coisas em português...
PERFIL
Filha de Maria Manuela e António José Furtado, Nelly nasceu a 2 de Dezembro de 1978, em Victoria, Canadá, e foi baptizada de Nelly Kim Furtado em homenagem à ginasta soviética Nelli Kim. Antes de se dedicar às canções ainda tentou a representação, mas acabou por desistir e dedicar-se à música. O primeiro disco, ‘Whoa, Nelly!’ surgiu em 2000 e revelou uma cantora pop por excelência, mas com apetite por várias linguagens. O tema ‘I’m Like a Bird’ valeu-lhe um Grammy em 2002. No regresso aos discos, com ‘Folklore’ (2003), colaborou inclusive com Caetano Veloso, mas não conseguiu repetir o êxito. Com ‘Loose’, a partir de hoje nas lojas, Nelly conseguiu já novo feito: o n.º1 do ‘top’ dos EUA.
Texto: Luís F. Silva

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