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Friday, January 22, 2010

Newspaper Optimus/Blitz (Portugal, Janeiro 2010)




Nelly Furtado - Uma Estrela à Distância da Sua Mão

Nelly Furtado e algumas centenas de fãs, todos no palco do Coliseu de Lisboa. Foi assim mais um memorável Optimus Secret Shows. Lia Pereira (texto) e Rita Carmo/Espanta Espíritos (Fotos) também estiveram lá.

A cerca de uma hora do segundo Optimus Secret Show, a fila à porta do Coliseu de Lisboa estendia-se quase-quase até à Praça do Rossio. Entre muitos jovens estrangeiros (estamos certos de termos visto várias caras "repetidas" do Secret Show dos Mando Diao), cânticos académicos e algum frio, a espera fez-se ordeiramente. Dentro do Coliseu, a surpresa aguardava e recompensaria os que persistiram: foi em cima do palco, um dos mais míticos do país, que os numerosos fãs de Nelly Furtado se encontrariam com a sua diva, num concerto em que os músicos actuaram de costas para a plateia vazia...

Em palco por volta das 23h00, Nelly Furtado - elegante num conjunto em tons de prateado, com brincos expressionistas a condizer - acabaria por pousar, ao de leve mas com graciosidade, em todos os pontos do seu por vezes desconcertante percurso. Houve, naturalmente, temas do novo disco - "Más", logo a abrir; "Bajo Otra Luz", influenciada pelo som cubano que chega a Miami, onde agora vive, e o êxito "Manos Al Aire" - mas também numerosos hits gravados ao longo dos últimos 10 anos. "Já não sou tão jovem", brincou a certa altura. A unir canções tão díspares como "I'm Like A Bird" (numa versão quase a cappella e cantada de olhos fechados, como se Nelly procurasse reencontrar-se com a jovenzinha naïf de 2000); "Say It Right" (curiosamente, o único tema resgatado a Loose) ou "Força", o hino do Europeu de 2004, estiveram a entrega e a naturalidade de Miss Furtado.

Mais acessível e humana do que a maioria das divas, mas indiscutivelmente sofisticada e carismática, a filha de açorianos deixou os fãs de coração nas mãos - eles (e elas) gritaram o seu nome, berraram propostas de casamento e entoaram a plenos pulmões "Broken Strings", o dueto com o baladeiro James Morrison, ou "Sozinho", a versão de Caetano Veloso, naquilo que, entre tanta música em castelhano e português do Brasil, chegou a parecer uma verdadeira festa latina.
Em troca, Nelly, que por fim parece ter encontrado um equilíbrio entre a espontaneidade algo destravada que chegou a caracterizá-la e o profissionalismo mais frio das estrelas pop, agradeceu aos admiradores, à organização do concerto e a Margarida Pinto, que na primeira parte embalou os presentes com temas do seu EP para a Optimus Discos - como a gingona "Agulha do Tempo" - ou a versão de "Só Gosto de Ti", dos Heróis do Mar, gravada para o disco 3 Pistas e recebida com um gigantesco coro popular. Mais interessante quando atrevida do que quando apenas delicodoce, a música de Margarida Pinto (a voz dos Coldfinger) foi um bom aperitivo para a extravagância contida de Nelly Furtado. Para a despedida, a luso-canadiana não fez a coisa por menos e foi ao baú buscar "Turn Off The Light", um dos singles do seu primeiro álbum, que lhe permite enveredar - tal como no novo "Manos Al Aire", de resto - por um registo mais regateiro e palrado. Já dissemos que esta rapariga é um mistério?

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