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Friday, April 23, 2010

Nelly Furtado | Caras Magazine (Portuguese 2000)

Portuguese Magazine Caras 2000


Nelly Furtado: “Penso que a minha alma é Portuguesa”
Apesar de ter nascido no Canadá, a jovem cantora nunca se desligou das suas raízes mais profundas, sediadas na ilha açoriana de São Miguel, terra natal dos seus pais.

Os seus pais deixaram a ilha de São Miguel pelos mesmos motivos que o fizeram várias famílias açorianas. Em busca de uma vida melhor, acabaram por estabelecer-se na cidade de Victoria, no Canada, onde já existia uma grande comunidade portuguesa. Nelly Furtado nasceu no outro lado do Atlântico, mas este permanente contacto com os costumes e tradições do país natal da sua família acabou por ditar toda a sua personalidade. Em cada palavra que pronuncia, num português quase correcto, Nelly não esconde a sua emoção por estar pela primeira vez em Portugal, ainda para mais quando esta viagem está directamente relacionada com a realização de um dos seus maiores sonhos. Nelly acaba de lançar o seu primeiro disco, Whoa, Nelly!, e para a crítica norte-americana o seu talento é já uma certeza. A jovem cantora, de 22 anos, pretende agora afirmar-se na Europa, começando pelo nosso país, que afirma ser também um pouco seu. “É difícil dizer se me sinto mais portuguesa ou canadiana, mas penso que a minha alma é portuguesa. Não consigo esconder a minha paixão por Portugal”, confessa Nelly.

O seu contacto com a música aconteceu desde muito cedo. Com apenas quatro anos, cantou pela primeira vez em público, na companhia da sua mãe, que fazia parte do coro da igreja. “Foi no Dia de Camões, e cantámos um tema que se chamava Canção de Mãe. A minha mãe já cantava num coro, e a maioria dos meus familiares tocavam instrumentos”, recorda Nelly. Porém, não era apenas através da voz que demonstrava a sua veia artística. Com onze anos já tocava cavalinho e trombone e, poucos anos mais tarde, decidiu aprender a tocar viola, instrumento que lhe abriu as portas da criatividade: “Quando comecei a tocar viola, descobri que podia fazer mais. A música não tem limites e transmite-me um sentimento de grande liberdade”. Por isso, não admira que este seu álbum de estreia revele as suas influências, que vão desde o hip-hop aos ritmos brasileiros, passando pela música portuguesa. A maioria das letras são da sua própria autoria e estão intimamente relacionadas com a sua forma de encarar a vida. Daí que não encontre resposta quando é convidada a revelar as suas inspirações: “As melodias mais belas vêm com a letra. É como um mistério para mim.” Como exemplo, recorda uma letra que escreveu quando trabalhava como empregada de limpeza num hotel, actividade que exercia no Verão, para ganhar algum dinheiro extra. “Desde os 12 anos, durante as férias escolares, limpei quartos num hotel, em Victoria. Nesse dia, encontrei inspiração para essa letra. Parei e comecei a escrever”, lembra Nelly.

Com 17 anos, movida pelo seu espírito de perseverança, Nelly decidiu mudar-se para Toronto, em busca de uma carreira musical. Chegou a fazer parte de uma banda de hip-hop, mas acabou por regressar a Victoria, onde entrou para a universidade: “Frequentei o primeiro ano no curso de Escrita Criativa, mas acabei por desistir”. A música acabou por falar mais alto. “Já tinha gravado uma maqueta e tive de deixar as aulas para fazer promoção. A escola acabou por ficar em stand by”, explica Nelly, que pouco tempo depois assinava contrato com a famosa produtora norte-americana Dreamworks, propriedade de Steven Spielberg.


Nelly afirma que este disco explica o seu sentimento de liberdade, agora vivido de forma muito mais intensa. Com os pés bem assentes na terra, aguarda espectante o impacte do álbum, mas não esconde o seu desejo de gravar um disco em português. Talvez por isso nunca tenha abdicado de aprender a língua de Camões: “Falo inglês com os meus pais, porque eles não queriam que eu tivesse dificuldades na escola, mas frequentei um curso nocturno de português até ao 4º ano. Nunca tive foi muitas oportunidades de o pôr em prática”. A sua carreira ainda agora começou, mas Nelly já percebeu que vai ter de passar mais tempo longe da família. Algo que a entristece, mas que tenta desdramatizar. “Fiz muitos sacrifícios por uma carreira, e penso que a vida é mesmo assim. Se tivesse optado por uma vida calma, casar e ter filhos, também teria de fazer sacrifícios”. No momento, pensa apenas em cimentar a sua carreira, mas não recusa a hipótese de, um dia mais tarde, adoptar outro estilo de vida. “Agora, estou mais interessada no meu trabalho. Mas é claro que um dia gostava de ter a minha própria família. Preciso de calma e silêncio para fazer a minha música”, completa Nelly, sem disfarçar a sua felicidade.


Embaixador do Canadá realizou um dos grandes sonhos de Nelly Furtado

Naquela que foi a sua primeira visita a Portugal, Nelly Furtado não poderia ter tido melhor recepção. Na residência oficial do embaixador do Canadá, Robert Vanderloo, a cantora teve oportunidade de conhecer alguns dos músicos portugueses com quem sempre se identificou, muito antes de enveredar por uma carreira musical. Nelly nunca imaginaria que pudesse desfrutar deste momento, e a sua enorme alegria disfarçou por completo o cansaço provocado pela viagem. Foi o próprio embaixador que teve a seu cargo as apresentações, e até acabou por sugerir um dueto entre Nelly Furtado e Nuno Guerreiro, duas vozes de que muito gosta. Impressionada com a voz do vocalista da Ala dos Namorados, e recordando um concerto de Rui Veloso a que assistiu em Toronto, Nelly não deixou de sublinhar: “Fio fantástico conhecer todos estes músicos”.

2 Comments:

Nice. :) She looks beautifull. Thank you. :)
And too bad that i cannot understand it...

I've put a translate here!;)

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