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Sunday, December 5, 2010

Nelly Furtado | Revista Vidas Correio da Manhã (Portugal, 2010)

Nelly Furtado: “Agora dou muito menos concertos. Ser mãe é para mim mais importante” Nelly Furtado, cantora luso-descendente, comemora dez anos de carreira. O pretexto para falar demúsica, da filha e das ligações que ainda mantém com os Açores.


Prefere fazer esta entrevista em português ou inglês?
Vamos tentar em português a ver como corre.

Com que frequência é que fala português?
Na verdade, pratico muito pouco. Lá em casa todos nós falamos inglês, inclusive os meus pais. Só consigo falar português quando vou de férias aos Açores, durante o Verão.

E vai muito aos Açores?
Vou todos os anos. Eu adoro os Açores, sobretudo as ilhas de S. Miguel e do Pico. Gosto muito da comida, da praia e das pessoas. Os Açores têm uma beleza natural lindíssima e uma cultura e uma música muito própria que me fascinam.

E a sua filha gosta de ir aos Açores?
Ela adora (risos). As coisas são muito diferentes do Canadá. O ritmo de vida lá é muito mais lento e ela gosta disso (risos).

Ela lida bem com o facto de a mãe ser uma estrela mundial?
Sim. Ela entende mas não faz muito caso. Ela é muito esperta e prática. Depois, eu também reservo muito a minha vida privada e por isso as coisas acabam por não a atingir muito. Ela não está muito exposta.

Viaja muito com a sua filha em trabalho?
Sim, às vezes. O Verão passado, por exemplo, levei-a comigo para a Polónia e ela divertiu-se imenso. Mas eu, neste momento, faço muito menos concertos. Prefiro estar a criá-la em casa. Ser mãe é muito mais importante.

A Nelly acaba de editar uma colectânea dos seus maiores sucessos. Sentiu necessidade de arrumar a casa?
Foi a forma que encontrei de celebrar os meus dez anos de carreira e de comemorar o lançamento do meu primeiro CD. E depois, como este disco tem três canções novas, também é uma forma de lançar ideias para o futuro.

Olhando para trás, está surpreendida com tudo o que conseguiu?
Estou muito feliz, porque não me arrependo de nada e sempre consegui concretizar os meus sonhos. Vivo da música e não podia estar mais feliz com isso.

Qual foi o melhor e o pior momento destes dez anos?
Eu não penso muito na minha carreira, mas olhando para trás houve momentos em que pensei desistir e esses talvez tenham sido os piores momentos.

Foram muitas as vezes em que pensou desistir?
Talvez umas duas vezes.

Porquê?
Porque no início foi muito duro. Tive que fazer muita força para entender tudo isto e ainda assim continuar a fazer música com amor.

Como é que conseguiu ultrapassar esses períodos negros?
Às vezes, nas fases mais difíceis da minha vida, penso sempre no meu avô, que era um mestre de música em S. Miguel. Pensar nele faz-me lembrar a razão pela qual eu gosto de música e isso dá-me muita força. É muito inspirador.

Esta Nelly Furtado de hoje é muito diferente daquela que começou a cantar ‘I'm Like a Bird'?
Sim, é muito diferente. Quando comecei eu era uma miúda muito irreverente e, às vezes, até mal-educada. Tinha uma personalidade muito forte e opiniões muito vincadas. Acho que só acalmei quando a minha filha nasceu (risos).

É verdade que existe um ‘Nelly Furtado Day' em Vitória, cidade onde nasceu no Canadá?
Isso aconteceu uma única vez há quatro anos (risos).

Como é que lidou com isso?
Foi estranho. No início nem quis acreditar.

Neste momento, as mulheres estão a dominar por completo o mundo da pop. Será que as mulheres são mais criativas e sensíveis do que os homens?
Talvez, mas o que eu acho é que as mulheres são mais espertas (risos). Se formos a ver bem, também há homens a fazer canções muito inspiradas. O que eu gostava era de ver mais mulheres em outras áreas, como na política, por exemplo.

A Nelly está a preparar um disco de originais para editar no início do próximo ano. O que pode revelar para já?
É um disco que estou a gravar agora e que se vai chamar ‘Lifestyle'. É um álbum mais positivo e mais fresco do que os anteriores e que vem no seguimento do disco que gravei em espanhol.

De que forma é que esse trabalho a influenciou?
Os latinos são muito mais românticos e mais sensuais e aquele disco foi uma boa oportunidade de mostrar às pessoas uma outra parte de mim. A verdade é que quando comecei a trabalhar para este novo disco, mesmo em inglês, senti uma nova motivação. Posso dizer que me sinto novinha em folha (risos). Estou muito entusiasmada com este novo disco.

Quer dizer que a sonoridade também será diferente?
Bom, eu já mudei muito (risos). O que posso dizer é que este será sempre um disco pop, até porque o mais importante para mim é sempre a melodia.

Quando é que regressa a Portugal para um concerto?
No próximo ano vou voltar à estrada com uma nova digressão e julgo que está previsto um espectáculo para Portugal. É possível que seja no Verão.

Já trabalhou com alguns dos maiores nomes da música a nível mundial. Com quem é que gostaria de trabalhar e que ainda não teve oportunidade?
Com a Madonna, sem dúvida. Acho que ia dar um resultado muito bom.

E já lhe ligou?
Não (risos). A verdade é que nós as duas temos amigos em comum, pessoas que andam nestas andanças há muito tempo. Quem sabe, um dia...


Entrevista de Miguel Azevedo

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